Aposentadoria por invalidez acidentária (B92): quem tem direito, valor e regras no INSS

Aposentadoria por invalidez acidentária

Sofrer um acidente de trabalho ou adoecer por causa da profissão muda tudo. 

De um dia para o outro, o corpo não responde mais, o trabalho se torna impossível e a insegurança financeira passa a fazer parte da rotina.

É justamente nesse cenário que surge a aposentadoria por invalidez acidentária (B92), um dos benefícios mais importantes, e também mais mal concedidos, pelo INSS.

Apesar disso, milhares de trabalhadores recebem o benefício errado, com código incorreto, valor menor e perda de direitos importantes. 

Por isso, entender o B92 é fundamental para não sair no prejuízo.

Neste artigo, você vai aprender, de forma clara, prática e com base na lei:

  • o que é a aposentadoria por invalidez acidentária (B92);
  • quem realmente tem direito;
  • como provar o nexo com o trabalho;
  • quanto o benefício paga;
  • quais direitos extras o B92 garante;
  • e o que fazer quando o INSS erra.

Sumário

O que é a aposentadoria por invalidez acidentária (B92)

Antes de tudo, é preciso esclarecer o conceito.

A aposentadoria por invalidez acidentária (B92) é o benefício concedido ao trabalhador que:

  • está totalmente incapaz para qualquer trabalho;
  • de forma permanente;
  • em razão de acidente de trabalho, doença ocupacional ou situação equiparada;
  • sem possibilidade de reabilitação profissional.

Ela está prevista no artigo 42 da Lei 8.213/91, combinada com as regras específicas dos benefícios de natureza acidentária.

Embora o nome atual seja “aposentadoria por incapacidade permanente”, o código B92 continua sendo usado pelo INSS para identificar os casos acidentários, e isso faz toda a diferença.

Aposentadoria por invalidez acidentária

Por que o B92 é diferente e mais vantajoso

Aqui está um ponto essencial.

Nem toda aposentadoria por invalidez é igual. Quando o benefício é concedido como acidentário, ele garante direitos que não existem na invalidez comum (B32).

Por isso, o enquadramento correto no B92 impacta:

  • o valor do benefício;
  • direitos trabalhistas;
  • possibilidade de acréscimos;
  • e até revisões futuras.

Na prática, receber B92 em vez de B32 pode significar milhares de reais a mais ao longo do tempo.

Diferença entre B92, B32, B91 e B31

Para não confundir, veja de forma simples:

  • B92: aposentadoria por invalidez acidentária
  • B32: aposentadoria por invalidez comum
  • B91: auxílio por incapacidade temporária acidentário
  • B31: auxílio por incapacidade temporária comum

Portanto, quando o INSS concede B32 em um caso que deveria ser B92, o segurado perde direitos importantes, mesmo estando aposentado.

Quem tem direito à aposentadoria por invalidez acidentária (B92)

Para ter direito ao B92, alguns requisitos precisam estar presentes ao mesmo tempo.

Qualidade de segurado

Primeiramente, é necessário que o trabalhador tenha qualidade de segurado na época do acidente ou do adoecimento relacionado ao trabalho.

Esse requisito está previsto nos artigos 11 e 15 da Lei 8.213/91.

Incapacidade total e permanente

Além disso, a incapacidade deve ser:

  • total, para qualquer atividade que garanta subsistência;
  • permanente, sem expectativa real de recuperação.

Aqui, não basta dificuldade ou limitação parcial. O quadro precisa impedir o exercício de qualquer trabalho compatível com o histórico profissional.

Impossibilidade de reabilitação profissional

Outro ponto decisivo é a inviabilidade de reabilitação.

Mesmo que, em tese, exista outra profissão, fatores como:

  • idade;
  • baixa escolaridade;
  • histórico exclusivamente braçal;
  • gravidade das sequelas;
    podem tornar a reabilitação inviável na prática.

Nexo causal com o trabalho

Por fim, e talvez o ponto mais importante, é necessário provar o nexo causal, ou seja, a ligação entre o trabalho e a incapacidade.

Esse nexo pode decorrer de:

  • acidente típico;
  • doença ocupacional;
  • doença do trabalho;
  • concausa, quando o trabalho agravou uma doença pré-existente.

O que é nexo causal e por que ele decide o B92

De forma simples, nexo causal é a relação entre o trabalho e a lesão ou doença.

Por exemplo:

  • queda de altura em obra;
  • esmagamento em máquina;
  • LER/DORT por esforço repetitivo;
  • hérnia de disco agravada por trabalho pesado;
  • surdez ocupacional;
  • transtornos mentais relacionados ao ambiente de trabalho.

Mesmo quando o trabalho não é a única causa, mas contribuiu ou agravou, o caráter acidentário pode ser reconhecido.

A importância da CAT no B92

A CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) ajuda muito, mas não é absoluta.

É importante saber:

  • a CAT pode ser emitida pela empresa, sindicato, médico ou pelo próprio trabalhador;
  • a ausência de CAT não impede o reconhecimento do B92;
  • outros documentos podem comprovar o nexo, como laudos médicos, PPP e relatos técnicos.

Portanto, a falta de CAT não encerra o direito.

Doença do trabalho também dá direito à aposentadoria por invalidez acidentária (B92)?

Sim. Doença do trabalho também pode dar direito à aposentadoria por invalidez acidentária (B92), desde que fique comprovado que a incapacidade é total, permanente e que exista nexo causal ou concausa com a atividade profissional.

Esse ponto é fundamental e, ainda assim, muito mal compreendido.

De forma simples, a lei equipara a doença do trabalho ao acidente de trabalho, conforme o artigo 20 da Lei 8.213/91

Ou seja, não é necessário um acidente típico, como uma queda ou esmagamento. Basta que o trabalho cause ou agrave a doença.

Portanto, quando a doença surge ou piora por causa das condições de trabalho, o benefício pode, sim, ser enquadrado como acidentário, com código B92.

Diferença entre doença comum e doença do trabalho

Antes de avançar, é importante separar os conceitos.

  • Doença comum: não tem relação com o trabalho.
  • Doença do trabalho: surge ou se agrava em razão das condições em que o trabalho é executado.
  • Doença ocupacional: ligada diretamente à atividade exercida, como consequência típica da profissão.

Na prática, tanto a doença do trabalho quanto a doença ocupacional podem gerar B92, desde que levem à incapacidade permanente.

Exemplos de doenças do trabalho que podem gerar B92

A seguir, veja exemplos frequentes, bem estruturados e com explicação prática, exatamente como o INSS e a Justiça analisam.

Burnout (síndrome do esgotamento profissional)

O burnout é um dos casos que mais crescem atualmente.

Ele costuma estar relacionado a:

  • metas abusivas;
  • pressão excessiva e constante;
  • jornadas exaustivas;
  • ambiente organizacional tóxico;
  • cobrança contínua por produtividade.

Quando o quadro evolui para:

  • depressão grave;
  • transtornos de ansiedade incapacitantes;
  • crises recorrentes;
  • impossibilidade definitiva de retorno ao trabalho;

e não há viabilidade de reabilitação profissional, o burnout pode gerar aposentadoria por invalidez acidentária (B92).

Aqui, o ponto-chave é provar que:

  • o trabalho foi causa ou fator determinante do adoecimento;
  • o ambiente laboral agravou de forma decisiva o quadro mental.

LER e DORT (lesões por esforço repetitivo)

As LER/DORT estão entre as doenças do trabalho mais clássicas.

São comuns em profissões como:

  • digitadores;
  • bancários;
  • operadores de caixa;
  • costureiras;
  • trabalhadores de linha de produção;
  • profissionais da saúde.

Quando essas lesões evoluem para:

  • perda significativa de força;
  • dor crônica incapacitante;
  • limitação de movimentos;
  • falha nos tratamentos;
  • impossibilidade de reabilitação;

O enquadramento como B92 é plenamente possível.

Mesmo que a pessoa consiga realizar atividades simples do dia a dia, se não consegue mais exercer qualquer trabalho compatível com sua formação e histórico, a incapacidade pode ser considerada permanente.

Transtornos mentais relacionados ao trabalho

Além do burnout, outros transtornos mentais podem ser reconhecidos como doença do trabalho, como:

  • depressão grave;
  • transtorno de ansiedade generalizada;
  • transtorno do pânico;
  • transtorno de estresse pós-traumático relacionado ao trabalho.

Isso é comum em:

  • vigilantes;
  • profissionais da saúde;
  • motoristas;
  • trabalhadores expostos a violência, risco ou pressão extrema.

Quando o conjunto de provas demonstra que o trabalho foi fator decisivo para o adoecimento e que não há perspectiva real de retorno ao mercado, o direito ao B92 pode existir.

Doenças ortopédicas agravadas pelo trabalho pesado

Outro ponto importante é a concausa.

Mesmo que a pessoa já tivesse uma condição prévia, como:

  • hérnia de disco;
  • artrose;
  • problemas de coluna;

se o trabalho pesado:

  • agravou a doença;
  • acelerou a evolução;
  • gerou incapacidade definitiva;

o caráter acidentário não é afastado.

Nesses casos, a aposentadoria pode ser concedida como B92, desde que a prova técnica demonstre o agravamento relacionado à atividade profissional.

Como funciona a perícia do INSS no B92

A perícia médica é o momento decisivo.

Nela, o perito avalia:

  • a incapacidade;
  • a permanência do quadro;
  • a possibilidade de reabilitação;
  • e o vínculo com o trabalho.

Entretanto, um erro comum é levar apenas atestados simples.

Na prática, o que faz diferença são:

  • relatórios médicos detalhados;
  • descrição funcional das limitações;
  • histórico de tratamentos sem sucesso;
  • documentos que liguem a lesão à atividade profissional.

Valor da aposentadoria por invalidez acidentária (B92)

Aqui está uma das maiores vantagens do B92.

Em regra, a aposentadoria por invalidez acidentária garante 100% da média dos salários de contribuição, diferentemente da invalidez comum, que segue a regra de 60% + 2% por ano.

Esse entendimento decorre da natureza acidentária do benefício e vem sendo aplicado de forma consistente pela Justiça.

Imagine um trabalhador com:

  • média salarial de R$ 3.500,00;
  • incapacidade permanente decorrente de acidente de trabalho.

Se o benefício for concedido como B92, o valor tende a ser 100% da media, veja:

  • R$ 3.500,00 mensais, e não 60% da média, como a por invalidez comum.

A diferença, ao longo dos anos, é enorme.

Acréscimo de 25%: quando é possível no B92

Se o aposentado por invalidez acidentária precisar de ajuda permanente de outra pessoa, pode ter direito ao acréscimo de 25%, previsto no artigo 45 da Lei 8.213/91.

Esse adicional pode ser concedido em casos como:

  • paralisia;
  • cegueira total;
  • doenças neurológicas graves;
  • incapacidade para atividades básicas do dia a dia.

Importante destacar: o INSS raramente concede esse adicional espontaneamente.

Aposentadoria por invalidez acidentária (B92) é definitiva?

Em regra, sim.

O B92 é concedido quando a incapacidade é considerada permanente. 

Ainda assim, o INSS pode convocar para reavaliação em alguns casos.

Direitos trabalhistas ligados ao B92

O caráter acidentário também gera reflexos trabalhistas importantes, como:

  • estabilidade no emprego antes da aposentadoria;
  • recolhimento de FGTS durante afastamentos anteriores;
  • possibilidade de indenizações em ações trabalhistas, conforme o caso.

Esses pontos costumam ser ignorados, mas fazem diferença no conjunto do direito.

Conclusão

Em resumo, a aposentadoria por invalidez acidentária (B92) é um benefício poderoso, mas que exige:

  • prova médica sólida;
  • demonstração clara do nexo com o trabalho;
  • e estratégia correta desde o pedido inicial.

O escritório Robson Gonçalves Advogados Associados atua diariamente com benefícios acidentários, analisando documentos, corrigindo enquadramentos errados e buscando na Justiça o que o INSS nega indevidamente.

Se você sofreu acidente de trabalho, desenvolveu doença ocupacional ou recebeu aposentadoria com código errado, entre em contato para uma análise do seu caso

Uma orientação correta pode mudar completamente o valor e o futuro do seu benefício.

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