Auxílio-acidente para quem sofreu acidente de moto

Auxílio-acidente para quem sofreu acidente de moto

Se você sofreu um acidente de moto, ficou com alguma sequela e continua trabalhando com mais dificuldade, este artigo é para você.

Muita gente nem imagina, mas além do auxílio-doença, pode existir o direito ao auxílio-acidente do INSS especificamente por causa do acidente de moto.

Aqui eu vou explicar:

  • o que é o auxílio-acidente;
  • quando o acidente de moto gera esse direito;
  • quem pode receber;
  • qual é o percentual pago;
  • como comprovar a sequela;
  • e o que fazer se o INSS negar.

A ideia é simples: fazer você entender, em poucos minutos, se vale a pena correr atrás do auxílio-acidente por acidente de moto.

Sumário

Acidente de moto, sequelas e direito ao INSS

Acidente de moto raramente é “leve”.

Mesmo quando a pessoa não fica internada por muito tempo, é muito comum sobrar alguma sequela: dor, limitação de movimento, perda de força, cicatriz que puxa a pele, dificuldade para ficar em pé, entre outras.

Essas sequelas, muitas vezes, não impedem a pessoa de trabalhar totalmente.
Porém, elas fazem com que o trabalho fique mais difícil, mais doloroso e com mais esforço.

É exatamente nesse cenário que entra o auxílio-acidente: um benefício do INSS de caráter indenizatório, previsto no artigo 86 da Lei 8.213/91, pago quando o segurado sofre um acidente e fica com redução permanente da capacidade para o trabalho habitual

Ou seja, você volta a trabalhar, mas com sequela. E, por isso, o INSS pode ter que pagar um valor mensal extra.

Auxílio-acidente para quem sofreu acidente de moto

O que é o auxílio-acidente e quando o acidente de moto dá direito ao benefício

O auxílio-acidente é um benefício pago como indenização, e não como substituição do salário.

Ele é devido quando, depois da consolidação das lesões de um acidente de qualquer natureza, ficam sequelas que reduzem a capacidade para o trabalho que você exercia antes. 

Então, em primeiro lugar, é importante entender duas coisas:

  1. O INSS considera acidente de moto como “acidente de qualquer natureza”. Não precisa ser acidente de trabalho para gerar direito ao auxílio-acidente. 
  2. O foco não é o tipo de acidente, e sim se ele deixou uma sequela permanente que diminuiu a sua capacidade de trabalhar na sua profissão.

Além disso, o auxílio-acidente é diferente do auxílio-doença:

  • o auxílio-doença (auxílio por incapacidade temporária) é pago enquanto você está afastado e incapaz de trabalhar;
  • o auxílio-acidente é pago depois que você melhora parcialmente, mas fica com sequela e volta a trabalhar com limitação. 

Quem tem direito ao auxílio-acidente depois de um acidente de moto

Para ter direito ao auxílio-acidente após acidente de moto, não basta ter se acidentado.
A lei e o INSS exigem alguns requisitos básicos. Em termos simples, é preciso:

  1. Ser segurado do INSS:
  • Em geral, podem ter direito:
  • empregado com carteira assinada;
  • trabalhador doméstico;
  • trabalhador avulso;
  • segurado especial (trabalhador rural em regime de economia familiar). 
  1. Ter sofrido um acidente de qualquer natureza: O acidente de moto entra aqui: pode ser no trabalho, no trajeto ou até em um passeio no fim de semana.
  2. Ter ficado com sequela permanente: A lesão precisa ter “consolidado” e deixado algum grau de limitação definitiva, mesmo que pequena.
  3. Essa sequela tem que reduzir a capacidade para a atividade habitual: Não precisa ser incapacidade total. Basta reduzir a capacidade ou exigir maior esforço para executar a mesma função.

Outra boa notícia: não é exigida carência para o auxílio-acidente. Basta ter a qualidade de segurado e preencher os demais requisitos. 

Exemplos de sequelas de acidente de moto que costumam gerar auxílio-acidente

Para você visualizar melhor, seguem alguns exemplos típicos:

  • fratura de perna ou braço que cicatriza, mas deixa limitação de movimento ou perda de força;
  • redução de mobilidade em joelho, tornozelo, quadril ou ombro;
  • encurtamento de membro, necessidade de uso de prótese ou órtese;
  • cicatrizes extensas que limitam movimentação ou exposição ao sol;
  • sequelas neurológicas com desequilíbrio, tremores ou perda de sensibilidade.

Por outro lado, se a recuperação for praticamente completa, sem limitação funcional, é comum o INSS não conceder o auxílio-acidente, mesmo tendo havido um acidente grave.

Quanto é pago de auxílio-acidente e até quando o benefício dura

Agora vem um ponto muito importante para quem está pensando em pedir o auxílio-acidente por acidente de moto: o valor.

Pela Lei 8.213/91, o auxílio-acidente mensal corresponde a 50% do salário-de-benefício do segurado. 

Em resumo:

  • o INSS calcula o salário de benefício (uma média das contribuições, conforme regras vigentes);
  • sobre essa base, aplica 50%;
  • esse é o valor do auxílio-acidente.

Por exemplo, se a média salarial foi de R$3.000,00, o valor do auxílio-acidente vai ser 50% disso, ou seja, R$1.500,00.

Além disso:

  • o auxílio-acidente começa a ser devido, em regra, no dia seguinte à cessação do auxílio-doença que teve origem no acidente; ou, em certas situações, a partir do pedido, quando não houve auxílio-doença anterior. 
  • o benefício é pago até a véspera de qualquer aposentadoria ou até o óbito do segurado, o que ocorrer primeiro. 

Na prática, ele funciona como um “plus” mensal, pago enquanto você está trabalhando com sequela, e depois é absorvido pela aposentadoria.

Como comprovar a sequela do acidente de moto no INSS

Para o INSS reconhecer o direito ao auxílio-acidente, a prova da sequela é essencial.
Portanto, antes de tudo, vale organizar os documentos mais importantes, como:

  • boletim de ocorrência do acidente de moto, quando houver;
  • prontuário do hospital, relatórios de internação e alta;
  • exames de imagem: raio X, tomografia, ressonância magnética;
  • laudos médicos recentes, de ortopedista, neurologista, cirurgião ou outro especialista;
  • relatórios de fisioterapia, reabilitação ou uso de órteses e próteses.

Mais importante do que o nome da lesão é o médico descrever o que você não consegue mais fazer como antes.
Por exemplo:

  • não consegue mais correr, agachar ou ficar muito tempo em pé;
  • não consegue mais pegar peso acima de determinado limite;
  • tem dificuldade para dirigir, subir escadas ou caminhar longas distâncias.

Ou seja, na documentação e na perícia, o foco deve ser sempre na limitação funcional para o seu trabalho.

Passo a passo para pedir o auxílio-acidente por acidente de moto

Na prática, o pedido costuma seguir este caminho:

  1. Organizar os documentos: Junte tudo que comprove o acidente de moto e as sequelas: documentos médicos, exames, relatórios, laudos.
  2. Acessar o Meu INSS: Pelo site ou aplicativo, você faz o pedido de benefício por incapacidade e seleciona a opção adequada. Em muitos casos, o auxílio-acidente é analisado a partir de um auxílio-doença anterior, mas também pode ser reconhecido diretamente, a depender da situação. 
  3. Passar pela perícia do INSS: Na perícia, explique com calma:
    • qual era o seu trabalho antes do acidente;
    • como foi o acidente de moto;
    • quais sequelas ficaram;
    • quais tarefas você passou a ter dificuldade para fazer.
  4. Acompanhar o resultado: Depois, acompanhe o andamento pelo próprio Meu INSS. Se houver dúvida ou pedido de documento complementar, responda dentro do prazo.
  5. Se o benefício for negado: Caso o INSS negue o auxílio-acidente, ainda existem duas saídas:
    • recurso administrativo, para o próprio INSS revisar a decisão;
    • ação judicial, para que um juiz e um perito judicial analisem o caso com mais profundidade.

Nessas etapas, principalmente depois de uma negativa, o apoio de um advogado previdenciário especializado faz bastante diferença na estratégia, na prova e nos prazos.

Preciso ter recebido auxílio-doença antes para ter direito ao auxílio-acidente?

Não necessariamente.

É comum que o auxílio-acidente venha depois de um período de auxílio-doença, mas a lei fala em acidente com sequela e redução de capacidade

Em muitos casos, a Justiça reconhece o direito mesmo quando o INSS nunca concedeu auxílio-doença, dependendo das provas. 

Acidente de moto no fim de semana também pode gerar auxílio-acidente?

Sim.

O auxílio-acidente não exige que o acidente seja de trabalho. A lei fala em “acidente de qualquer natureza”. 

O que importa é que você seja segurado do INSS, tenha sofrido o acidente e ficado com sequela permanente que reduza sua capacidade de trabalho. 

Quem é autônomo ou MEI e sofreu acidente de moto pode receber auxílio-acidente?

Depende.

É preciso analisar se a categoria de segurado e o tipo de contribuição dão direito ao benefício nessa modalidade. 

Como a regra é mais favorável para alguns tipos de segurado (como empregado e doméstico), o autônomo precisa de avaliação detalhada do caso, incluindo histórico de contribuições.

Dá para acumular auxílio-acidente com outros benefícios?

Em regra, o auxílio-acidente pode ser recebido junto com salário, auxílio-doença futuro e outros benefícios, com algumas limitações.

Porém, ele não é acumulável com aposentadoria, pois cessa na véspera da concessão de qualquer aposentadoria. 

Posso receber auxílio-acidente e continuar trabalhando?

Sim, pode.

O auxílio-acidente é um benefício indenizatório, ou seja, ele não substitui o seu salário.

Por isso, ele é justamente pensado para ser pago enquanto você continua trabalhando, mas com sequela permanente e redução da capacidade após o acidente.

Assim, você pode:

  • seguir trabalhando na mesma função ou em função adaptada;
  • receber seu salário normalmente;
  • acumular o salário com o auxílio-acidente.

Conclusão

Em resumo, se você sofreu um acidente de moto, voltou a trabalhar, mas ficou com alguma sequela que dificulta suas atividades, pode estar deixando dinheiro na mesa ao não buscar o auxílio-acidente do INSS.

Como vimos, o benefício:

  • é uma indenização mensal;
  • é pago quando a sequela reduz a sua capacidade para o trabalho;
  • normalmente corresponde a 50% do salário-de-benefício;
  • pode durar até a véspera de uma futura aposentadoria.

Por outro lado, a prova das sequelas e da redução da capacidade é técnica, envolve laudos, exames e perícia.

Um erro na forma de apresentar o caso, na escolha do benefício ou na documentação pode significar anos de perda de dinheiro.

Por isso, se você ou alguém próximo sofreu acidente de moto e ficou com limitações, vale muito a pena conversar com um advogado previdenciário especializado para analisar a possibilidade de auxílio-acidente.

O Robson Gonçalves Advogados atua diariamente com benefícios por incapacidade e casos de acidente, incluindo acidentes de moto que deixaram sequelas permanentes.
Na prática, a equipe ajuda a:

  • analisar se as sequelas se enquadram nos requisitos do auxílio-acidente;
  • organizar laudos e documentos médicos de forma estratégica;
  • protocolar o pedido no Meu INSS e acompanhar a perícia;
  • apresentar recursos quando o benefício é negado;
  • e ingressar com ação judicial, quando necessário, para efetivar o direito.

Se você precisa de ajuda com auxílio-acidente por acidente de moto, entre em contato com o Robson Gonçalves Advogados para uma análise personalizada do seu caso.

Nossa equipe pode acompanhar você em todas as etapas, desde o primeiro pedido até a Justiça, se for preciso.

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