Hérnia de disco dá direito a auxílio-acidente?

Hérnia de disco dá direito a auxílio-acidente?

Se você convive com dor nas costas, irradiação para a perna, formigamento ou perda de força depois de anos de trabalho pesado, essa dúvida é muito comum: hérnia de disco dá direito a auxílio-acidente?

Em muitos casos, sim. 

Contudo, não basta ter o diagnóstico. 

É preciso existir sequela permanente e redução da capacidade para o trabalho habitual.

Além disso, esse é um ponto que costuma gerar confusão. 

O auxílio-acidente não é pago porque a pessoa sente dor, nem porque fez cirurgia. 

O benefício é devido quando, após a consolidação da lesão, ficam limitações definitivas que exigem mais esforço ou reduzem o desempenho na atividade que o segurado exercia antes.

Sumário

O que é hérnia de disco?

A hérnia de disco acontece quando o disco intervertebral sofre desgaste, fissura ou deslocamento, podendo comprimir nervos e causar dor, inflamação e limitação funcional. 

No dia a dia, isso pode gerar lombalgia, ciática, dormência, fraqueza muscular e dificuldade para sentar, levantar, caminhar ou carregar peso.

Conforme o anexo, os casos mais comuns envolvem hérnia lombar, que costuma irradiar para a perna, e hérnia cervical, que pode causar dor e formigamento no braço. 

Também aparecem com frequência em profissões com levantamento de carga, flexões repetidas da coluna, vibração constante ou posturas mantidas por muito tempo.

Quando a hérnia de disco pode gerar auxílio-acidente?

A resposta correta é: depende da sequela.

O auxílio-acidente é um benefício de caráter indenizatório previsto no art. 86 da Lei 8.213/91

Ele é devido quando, após acidente de qualquer natureza, restam sequelas que reduzam de forma definitiva a capacidade para o trabalho que a pessoa exercia habitualmente. 

Além disso, a doença do trabalho e a doença profissional podem ser equiparadas a acidente do trabalho, conforme o art. 20 da mesma lei. 

Portanto, se a hérnia de disco surgiu ou piorou em razão da atividade profissional, isso pode ser juridicamente relevante.

Na prática, isso significa o seguinte: a hérnia de disco pode dar direito ao auxílio-acidente quando deixa limitações permanentes, mesmo que o trabalhador continue exercendo alguma atividade.

Hérnia de disco, por si só, não garante o benefício

Esse cuidado é essencial.

Ter uma ressonância mostrando protrusão ou hérnia não garante automaticamente o auxílio-acidente. 

O INSS e a Justiça analisam se existe redução real da capacidade laboral habitual. Em outras palavras, o foco não está apenas no exame, mas no efeito da lesão sobre o trabalho.

Além disso, a Turma Nacional de Uniformização firmou entendimento importante. 

A Súmula 88 afirma que a limitação, ainda que leve, para a atividade habitual pode autorizar a concessão do auxílio-acidente.

Por outro lado, a Súmula 89 afasta o benefício quando a sequela não reduz a capacidade laboral nem exige maior esforço para o exercício da função.

Quais trabalhadores podem ter direito?

De acordo com a IN PRES/INSS nº 128/2022, o auxílio-acidente é devido ao segurado empregado, inclusive o doméstico, ao trabalhador avulso e ao segurado especial, desde que preenchidos os requisitos legais. 

A mesma norma deixa claro que o contribuinte individual e o segurado facultativo não têm direito ao benefício.

Quais situações costumam fortalecer o pedido?

Em casos de hérnia de disco, o pedido costuma ficar mais forte quando há prova de que o trabalhador:

  • voltou ao trabalho com dor persistente;
  • perdeu força ou mobilidade;
  • não consegue mais carregar peso como antes;
  • tem limitação para ficar muito tempo sentado, em pé ou agachado;
  • precisa de mais esforço para exercer a mesma função.

Conforme o anexo, isso aparece com frequência em motoristas, trabalhadores da construção civil, enfermeiros, cuidadores e outros profissionais expostos a esforço físico, vibração e sobrecarga postural. 

Também pode ocorrer em atividades sedentárias, quando a postura contínua agrava a condição ao longo do tempo.

Como comprovar o direito no caso de hérnia de disco

Antes de tudo, a prova médica precisa ser bem organizada. 

Afinal, o maior erro em pedidos desse tipo é apresentar apenas o diagnóstico, sem mostrar a limitação funcional.

Os documentos mais úteis costumam ser:

  • ressonância magnética, tomografia e radiografias;
  • laudos de ortopedista, neurocirurgião ou especialista em coluna;
  • relatórios de fisioterapia e reabilitação;
  • atestados de afastamento;
  • CAT, quando houver;
  • documentos da empresa ou descrição detalhada da função exercida.

Além disso, vale muito a pena ter relatório médico explicando como a hérnia de disco afeta a atividade profissional. 

Por exemplo: dor ao dirigir por longos períodos, limitação para abaixar, dificuldade para levantar peso ou perda de resistência para tarefas repetitivas. 

Conforme o anexo, a descrição ocupacional detalhada e a documentação evolutiva ajudam bastante a demonstrar o nexo e o impacto funcional.

É preciso estar afastado para pedir?

Não. O auxílio-acidente pode ser concedido justamente para quem retornou ao trabalho, mas ficou com sequela permanente. 

Esse é o ponto central do benefício: ele não substitui integralmente a renda, mas indeniza a redução da capacidade laboral habitual.

Além disso, a própria IN 128/2022 prevê a concessão mesmo quando o auxílio-acidente não foi precedido de auxílio por incapacidade temporária, desde que o requerimento observe as regras administrativas aplicáveis. 

A data de início, em regra, será a DER, quando não houver benefício anterior, ou o dia seguinte à cessação do benefício por incapacidade temporária, quando ele tiver existido.

Qual é o valor do auxílio-acidente?

O auxílio-acidente corresponde a 50% do salário de benefício, conforme a legislação previdenciária. 

Além disso, ele não é mais vitalício. 

Em regra, o pagamento é mantido até a véspera de eventual aposentadoria. 

Por isso, esse é outro ponto que costuma aparecer errado em muitos conteúdos sobre o tema.

O que fazer se o INSS negar?

Infelizmente, isso é comum. 

Em muitos casos, a negativa acontece porque a perícia foca apenas na incapacidade total e ignora a redução parcial e permanente da capacidade para a função habitual.

Nessas situações, pode ser necessário apresentar recurso administrativo ou discutir o caso judicialmente, sempre com documentação médica consistente e boa descrição da atividade exercida. 

O anexo destaca exatamente isso: a qualidade da prova costuma fazer diferença decisiva em pedidos ligados à coluna.

Conclusão

A hérnia de disco pode dar direito ao auxílio-acidente, mas não de forma automática. 

O que realmente importa é a existência de sequela permanente com redução da capacidade para o trabalho habitual. 

Portanto, quem volta a trabalhar com dor, limitação de movimentos, perda de força ou maior esforço para executar a mesma função pode, sim, ter direito ao benefício.

Além disso, a análise correta dos exames, laudos, histórico laboral e nexo com o trabalho faz toda a diferença. 

O Robson Gonçalves Advogados atua justamente nessa etapa, com avaliação documental, orientação para prova médica, protocolo no Meu INSS, recursos administrativos e ação judicial, quando necessária.

Se você precisa de ajuda com hérnia de disco e auxílio-acidente, entre em contato com o Robson Gonçalves Advogados para uma análise do seu caso.

Robson Gonçalves

Robson Gonçalves é sócio fundador do escritório Robson Advogados. Atua desde 2019 e dedica a sua advocacia no Direito Previdenciário em processos contra o INSS. OAB/MG 191.612

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