Paralisia infantil dá direito ao BPC/LOAS? Quem pode receber e como pedir

Paralisia infantil dá direito ao BPC/LOAS? Quem pode receber e como pedir

A paralisia infantil, também chamada de poliomielite, deixou sequelas permanentes em milhares de brasileiros. 

Ainda assim, mesmo com limitações evidentes, muitas pessoas, inclusive crianças, têm o pedido de BPC/LOAS negado pelo INSS.

O motivo quase nunca é a doença em si.
Na maioria dos casos, a negativa acontece por erro na análise da deficiência, confusão sobre a renda familiar ou falta de prova adequada.

Por isso, este artigo foi escrito para ser definitivo. 

Aqui você vai entender, sem rodeios:

  • quando a paralisia infantil gera direito ao BPC/LOAS;
  • por que ter a doença não basta, mas pode sim gerar o benefício;
  • como funciona a avaliação da renda, com exemplos reais;
  • por que crianças também podem receber;
  • e o que fazer quando o INSS nega injustamente.

Sumário

O que é paralisia infantil e por que ela ainda gera direito hoje

A paralisia infantil é causada pelo vírus da poliomielite. 

Embora a doença esteja erradicada no Brasil, as sequelas permanecem por toda a vida em quem foi infectado no passado.

Essas sequelas costumam envolver:

  • paralisia parcial ou total de membros;
  • perda de força muscular;
  • encurtamento de pernas ou braços;
  • deformidades;
  • dificuldades graves de locomoção;
  • dependência de terceiros para atividades básicas.

Do ponto de vista médico e previdenciário, os códigos mais usados são:

  • CID-10 A80: poliomielite aguda
  • CID-10 B91: sequelas da poliomielite

Na prática, quase todos os pedidos de BPC utilizam o CID B91, pois ele representa a deficiência permanente, que é exatamente o que a lei exige.

Paralisia infantil dá direito ao BPC/LOAS? Quem pode receber e como pedir

Ter paralisia infantil garante automaticamente o BPC/LOAS?

Não. E esse é o ponto que mais confunde as famílias.

O BPC/LOAS não é concedido pela doença, mas sim pela deficiência associada à vulnerabilidade social.

Ou seja:

  • é possível ter paralisia infantil e não ter direito ao BPC;
  • assim como é possível ter paralisia infantil e ter direito, inclusive com renda um pouco maior, dependendo do caso.

Portanto, o que o INSS e a Justiça analisam não é apenas o CID, mas sim:

  • a limitação funcional real;
  • o impacto da deficiência na vida diária;
  • e a condição econômica da família.

Paralisia infantil é considerada deficiência para o BPC/LOAS?

Sim, pode ser, desde que gere impedimentos de longo prazo que dificultem a participação plena da pessoa na sociedade.

A lei considera pessoa com deficiência aquela que possui impedimentos físicos, mentais, intelectuais ou sensoriais, em interação com barreiras sociais.

No caso da paralisia infantil, isso geralmente ocorre quando a pessoa:

  • não consegue se locomover sem ajuda;
  • depende de muletas, órteses ou cadeira de rodas;
  • não consegue trabalhar ou estudar em igualdade de condições;
  • precisa de apoio constante da família.

Portanto, a paralisia infantil se enquadra perfeitamente no conceito legal de deficiência, quando há limitação funcional relevante.

O que é o BPC/LOAS e quem pode receber

O Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) garante 1 salário mínimo por mês à pessoa com deficiência ou ao idoso com 65 anos ou mais que não tenha meios de se sustentar nem de ser sustentado pela família.

É essencial entender que o BPC:

  • não exige contribuição ao INSS;
  • não é aposentadoria;
  • não paga 13º salário;
  • não gera pensão por morte;
  • depende sempre da análise da renda familiar.

Por isso, ele é o principal benefício para quem tem paralisia infantil e nunca conseguiu trabalhar ou contribuir.

Criança com paralisia infantil pode receber BPC/LOAS?

Sim. Crianças com paralisia infantil podem receber BPC/LOAS, e esse é um direito frequentemente ignorado.

No caso de crianças, o INSS avalia:

  • a deficiência e suas limitações;
  • o impacto no desenvolvimento;
  • as barreiras para frequentar escola, brincar e se socializar;
  • a necessidade de cuidados permanentes;
  • e, novamente, a renda da família.

Ou seja, o fato de a criança nunca ter trabalhado não impede o benefício, porque o BPC não exige contribuição.

Os dois requisitos do BPC/LOAS para paralisia infantil

Para que o benefício seja concedido, dois requisitos precisam existir ao mesmo tempo.

1. Deficiência comprovada:

A deficiência é analisada por meio de avaliação biopsicossocial, que envolve:

  • perícia médica;
  • avaliação social.

Aqui, o erro mais comum é apresentar apenas um laudo simples com CID.
O que realmente importa é um relatório funcional, explicando:

  • o que a pessoa consegue ou não fazer;
  • o grau de dependência;
  • as dificuldades reais do dia a dia.

2. Renda familiar compatível com o BPC:

Este é o ponto que mais derruba pedidos.

É preciso deixar claro, sem rodeios: o BPC SEMPRE leva a renda em consideração, inclusive para crianças.

O cálculo funciona assim:

  1. soma-se a renda de quem mora na mesma casa;
  2. divide-se pelo número de pessoas.

O resultado é a renda por pessoa da família.

Renda acima do limite impede o BPC automaticamente?

Não. O INSS costuma negar de forma automática, mas a Justiça analisa:

  • gastos com saúde;
  • dependência de terceiros;
  • impacto financeiro da deficiência;
  • contexto social da família.

Por isso, muitos BPCs são concedidos judicialmente, mesmo após negativa administrativa.

Avaliação biopsicossocial: onde tudo é decidido

A avaliação biopsicossocial é o coração do processo.

Ela analisa:

  • limitações físicas;
  • barreiras sociais;
  • ambiente familiar;
  • grau de autonomia.

Pedidos bem preparados, com documentação correta, mudam completamente o resultado.

Documentos essenciais para quem tem paralisia infantil

  • laudo médico com CID A80 ou B91;
  • relatório funcional detalhado;
  • exames e histórico clínico;
  • comprovantes de gastos com saúde;
  • Cadastro Único atualizado.

Sem CadÚnico, o BPC não anda.

O que fazer se o INSS negar o BPC/LOAS

A negativa não significa fim do direito.

É possível:

  • apresentar recurso administrativo;
  • ingressar com ação judicial, com nova avaliação médica e social.

Na prática, muitos casos só são resolvidos na Justiça, especialmente quando o problema é renda.

Conclusão

A paralisia infantil pode dar direito ao BPC/LOAS, inclusive para crianças, mas o benefício não é automático.

O que define o direito é:

  • deficiência real e permanente;
  • impacto na vida diária;
  • renda familiar analisada corretamente;
  • documentação bem feita.

O escritório Robson Gonçalves Advogados Associados atua diariamente com BPC/LOAS, analisando renda, laudos e estratégias para reverter negativas injustas.

Se você ou seu filho têm paralisia infantil e dúvidas sobre o benefício, procure uma análise especializada. No BPC, detalhes fazem toda a diferença.

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