CID F60.3 aposentadoria, valor e requisitos: transtorno borderline

CID F60.3 aposentadoria, valor e requisitos: transtorno borderline

Quando alguém recebe o diagnóstico de transtorno de personalidade borderline (CID F60.3), além de lidar com crises emocionais, muitas vezes surge uma preocupação:

Será que eu tenho direito a auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez pelo INSS?

Como fica o valor do benefício?”

Ao longo deste artigo, você vai entender, passo a passo:

  • o que é o CID F60.3 e como ele afeta a vida profissional;
  • em quais situações o borderline pode gerar benefícios do INSS;
  • como o INSS calcula o valor desses benefícios;
  • quais são os requisitos reais que o INSS analisa na prática.

No final, trago ainda um bloco de perguntas frequentes para tirar as principais dúvidas.

Sumário

O que é CID F60.3 (transtorno borderline) e como impacta o trabalho

Primeiramente, o CID F60.3 é o código usado para o transtorno de personalidade emocionalmente instável, que inclui o quadro conhecido como transtorno de personalidade borderline.

De forma simples, o borderline é um padrão duradouro de funcionamento emocional e comportamental marcado por:

  • emoções muito intensas e instáveis;
  • impulsividade;
  • medo forte de rejeição ou abandono;
  • dificuldade em manter relações e uma autoimagem estável.

Essas características não aparecem só “em fases ruins”. 

Em geral, acompanham a pessoa por muitos anos e provocam sofrimento e conflitos.

Na prática, é comum a pessoa com F60.3 relatar:

  • variações bruscas de humor ao longo do dia, indo de euforia a tristeza profunda;
  • decisões impulsivas em relacionamentos, trabalho, gastos, uso de substâncias;
  • discussões intensas, crises de raiva ou choro descontrolado;
  • sensação de vazio, de não saber “quem é” de verdade;
  • episódios de autoagressão ou tentativas de se machucar, em alguns casos.

Tudo isso interfere diretamente na vida profissional.

Frequentemente surgem faltas ao trabalho, dificuldade com críticas, conflitos com chefes e colegas, dificuldade de cumprir rotina e de permanecer por muito tempo no mesmo emprego.

CID F60.3 aposentadoria, valor e requisitos: transtorno borderline

CID F60.3 dá direito a aposentadoria pelo INSS?

Agora, é importante deixar uma coisa bem clara: ter diagnóstico de borderline não significa automaticamente ter direito a benefício.

O INSS não concede auxílio ou aposentadoria apenas porque existe um CID.
Juridicamente, a lei diferencia:

  • doença: é o diagnóstico médico, como F60.3;
  • incapacidade para o trabalho: é quando, por causa dessa doença, a pessoa não consegue exercer atividade laboral de forma contínua, mesmo com tratamento adequado.

Além disso, para ter direito a benefício por incapacidade, o segurado precisa cumprir requisitos básicos, como:

  • ter qualidade de segurado (estar contribuindo ou em período de graça);
  • cumprir a carência mínima, que em regra é de 12 contribuições mensais para benefícios por incapacidade;
  • comprovar, na perícia do INSS, que existe incapacidade total para o trabalho, temporária ou permanente.

Portanto, o CID F60.3 pode gerar benefício quando as crises e limitações são tão intensas que impedem o trabalho.

Por outro lado, se a pessoa está em tratamento, com quadro relativamente estabilizado e ainda consegue trabalhar, o INSS tende a negar o pedido.

Auxílio por incapacidade temporária (auxílio-doença)

Na maior parte dos casos, o primeiro benefício relacionado ao borderline é o auxílio por incapacidade temporária, o antigo auxílio-doença.

Ele é indicado quando o quadro está em fase aguda, com crises frequentes, instabilidade emocional intensa, risco de autoagressão ou dificuldade marcante de manter rotina e produtividade.

Aqui, o INSS entende que a incapacidade é temporária e que, com tratamento e tempo, pode haver melhora suficiente para retorno ao trabalho.

Quanto ao valor, o raciocínio é:

  • o INSS calcula uma média de todas as contribuições desde julho de 1994, atualizadas;
  • aplica 91% sobre essa média;
  • compara esse resultado com a média dos 12 últimos salários de contribuição;
  • o valor do auxílio fica limitado por essa média mais recente, e nunca pode ser inferior ao salário mínimo nem superior ao teto do INSS.

Ou seja, o borderline não muda a fórmula.

O que muda é apenas o fato de o motivo da incapacidade ser um transtorno de personalidade.

Aposentadoria por incapacidade permanente

Quando o quadro é crônico, com crises repetidas mesmo em tratamento, internações, afastamentos sucessivos e incapacidade duradoura para qualquer atividade, pode entrar em cena a aposentadoria por incapacidade permanente.

Depois da Reforma da Previdência, a regra geral ficou mais rígida. De forma bem resumida:

  • o INSS calcula a média de 100% dos salários de contribuição;
  • sobre essa média, aplica um percentual que, em muitos casos, começa em 60% e aumenta com o tempo de contribuição;
  • o valor final também respeita o piso do salário mínimo e o teto do INSS.

Assim, duas pessoas com borderline podem ter valores bem diferentes:

  • quem contribuiu pouco tempo e sobre salários baixos tende a ter benefício próximo ao mínimo;
  • quem contribuiu muitos anos e sobre salários altos pode ter aposentadoria bem mais elevada, sempre dentro dos limites mínimo e máximo.

Passo a passo para pedir benefício do INSS com CID F60.3

Agora, vamos organizar o caminho em etapas simples, pensando em quem pretende pedir auxílio ou aposentadoria por borderline.

Em primeiro lugar, é essencial organizar os documentos médicos. 

Isso inclui laudos do psiquiatra, relatórios de psicoterapia, documentos de internações, receitas e qualquer registro que mostre a continuidade do tratamento.

Em seguida, o pedido é feito pelo Meu INSS, selecionando o benefício por incapacidade. 

É possível anexar os documentos diretamente na plataforma. Depois disso, o segurado é chamado para perícia médica.

Na perícia, é importante falar de forma sincera sobre:

  • frequência e intensidade das crises;
  • dificuldade de conviver no ambiente de trabalho;
  • episódios que levaram a faltas, advertências ou demissões;
  • situações de autoagressão, quando existirem.

É muito comum o INSS conceder primeiro auxílio por incapacidade temporária.

A aposentadoria, na prática, costuma ser analisada quando fica claro que a incapacidade é duradoura e que as tentativas de retorno ao trabalho não funcionaram.

Se o benefício for negado, ou se a alta for considerada precoce, ainda existe a possibilidade de recurso administrativo dentro do próprio INSS e, em muitos casos, discussão na Justiça, com perícia judicial própria.

Ter borderline (CID F60.3) garante automaticamente aposentadoria ou auxílio-doença?

Não.

O CID F60.3 é o diagnóstico, mas o benefício depende da incapacidade para o trabalho.

O INSS só concede auxílio ou aposentadoria se ficar comprovado que o transtorno impede o exercício de atividade laboral de forma segura e contínua.

Posso trabalhar registrado e receber benefício por incapacidade por F60.3?

Em regra, não.

O benefício por incapacidade parte da ideia de que a pessoa não pode trabalhar.

Quando o segurado mantém vínculo de emprego ativo e recebe benefício ao mesmo tempo, o INSS pode entender que não há incapacidade e cancelar o pagamento.

Existem situações específicas, como tentativas de retorno ou reabilitação, que podem ser discutidas caso a caso, mas exigem cuidado técnico.

Quem nunca contribuiu pode ter BPC/LOAS por borderline?

Pode, em algumas situações.

O BPC/LOAS não exige contribuição, mas exige dois pontos:

  • que a pessoa seja considerada pessoa com deficiência em razão do transtorno mental, com impedimento de longo prazo;
  • que a família esteja em situação de baixa renda, dentro dos critérios legais.

Ou seja, borderline pode ser base para BPC, desde que haja deficiência comprovada e vulnerabilidade econômica.

Já recebo auxílio-doença por borderline. Posso pedir aposentadoria por incapacidade permanente?

Pode, se o quadro mostrar que a incapacidade se tornou duradoura.

Em geral, a aposentadoria é discutida quando há:

  • vários afastamentos sucessivos;
  • dificuldade real de se manter em qualquer atividade;
  • indicação do psiquiatra de que o quadro é crônico e sem perspectiva de melhora suficiente para retorno ao trabalho.

Nesses casos, é possível pedir a conversão do auxílio em aposentadoria, administrativamente ou pela via judicial.

Conclusão

Em resumo, o CID F60.3 (transtorno borderline) é um diagnóstico sério, que pode, sim, levar ao reconhecimento de benefícios por incapacidade pelo INSS.

Porém, o simples fato de ter o CID não garante aposentadoria nem auxílio.

O que realmente importa para o INSS é:

  • se existe incapacidade para o trabalho, temporária ou permanente;
  • se os sintomas são intensos e duradouros a ponto de impedir o exercício de qualquer atividade;
  • se isso tudo está bem comprovado em laudos, relatórios e histórico de tratamento.

Além disso, o valor do benefício segue as mesmas regras aplicadas a qualquer outra doença:

  •  média dos salários de contribuição, aplicação dos percentuais previstos em lei, respeito ao salário mínimo e ao teto do INSS.

Por outro lado, muitos casos de borderline são negados simplesmente porque a prova foi mal apresentada: laudos curtos, pouca informação sobre crises, ausência de documentos de internações e de histórico de afastamentos.

Se você tem diagnóstico de CID F60.3 e tem dúvidas sobre aposentadoria, valor ou requisitos no INSS, vale buscar orientação especializada.

O Robson Gonçalves Advogados atua diariamente com casos de transtornos mentais e benefícios por incapacidade, ajudando a:

  • organizar documentos médicos e previdenciários;
  • analisar se é o caso de auxílio, aposentadoria ou BPC;
  • preparar pedidos bem fundamentados;
  • recorrer de decisões injustas do INSS e, quando necessário, levar o caso à Justiça.

Se precisar de ajuda, entre em contato para uma análise individual do seu caso.

Um bom planejamento pode fazer toda a diferença entre um pedido negado e o reconhecimento do direito que a lei já garante.

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