O que é auxílio-acidente de trabalho 

O que é auxílio-acidente de trabalho 

Se você sofreu um acidente no trabalho, ou desenvolveu uma doença ocupacional, e ficou com uma sequela permanente, pode ter direito ao auxílio-acidente de trabalho. 

Esse benefício não serve para afastar o trabalhador da atividade. 

Na verdade, ele funciona como uma indenização mensal paga pelo INSS quando a lesão deixa redução definitiva da capacidade para o trabalho habitual. 

A própria Lei 8.213/91 trata o auxílio-acidente como indenização, e o INSS informa que ele não impede o segurado de continuar trabalhando.

Sumário

O que significa auxílio-acidente de trabalho na prática

Em linguagem simples, o auxílio-acidente de trabalho é o benefício devido ao segurado que sofreu acidente do trabalho, ou doença equiparada a acidente do trabalho, e ficou com sequela permanente que reduziu sua capacidade laboral. 

Não é preciso ficar totalmente incapaz. Basta que a sequela cause limitação definitiva para a atividade que a pessoa exercia antes. 

O INSS resume exatamente essa lógica ao dizer que o benefício é pago quando há sequela permanente que reduz definitivamente a capacidade para o trabalho.

Além disso, quando falamos especificamente do acidente do trabalho, entra a classificação usada na prática previdenciária: B94, também chamado de espécie 94, que corresponde ao auxílio-acidente por acidente do trabalho. 

O Ministério da Previdência usa essa nomenclatura nas estatísticas oficiais, e o CNPS também menciona expressamente o B94 como auxílio-acidente por acidente de trabalho.

B94: o que é e por que esse código importa

Aqui está a correção principal: o auxílio-acidente de trabalho é B94, e não B96. 

O B94 é o código usado na prática para identificar o auxílio-acidente de natureza acidentária, isto é, decorrente de acidente do trabalho. 

Já o B96 não corresponde a esse benefício. 

Nas publicações oficiais da Previdência, a incapacidade permanente parcial ligada a acidente laboral é captada a partir da concessão do benefício auxílio-acidente por acidente do trabalho, espécie 94.

Para não confundir, vale guardar esta diferença: B91 é o auxílio por incapacidade temporária por acidente do trabalho, enquanto B94 é o auxílio-acidente por acidente do trabalho, pago quando existe sequela permanente após a consolidação das lesões. 

Ou seja, o B91 está ligado ao afastamento temporário. O B94 está ligado à indenização pela sequela permanente.

O que a lei diz sobre o auxílio-acidente de trabalho

O art. 86 da Lei 8.213/91 estabelece que o auxílio-acidente será concedido, como indenização, ao segurado quando, após a consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia. 

Já o Decreto 3.048/99, no art. 104, também trata o benefício como indenização e reforça que ele não substitui o salário do trabalhador.

Além disso, quando o acidente tem relação com o trabalho, também entram os arts. 19, 20 e 23 da Lei 8.213/91.

Esses dispositivos tratam do conceito de acidente do trabalho, da equiparação das doenças profissionais e do trabalho, e da data do acidente nos casos de doença ocupacional. 

Isso é importante porque muita gente pensa que só existe acidente de trabalho quando há queda, corte ou esmagamento no serviço. 

Não é assim. Uma doença causada pela atividade também pode levar ao reconhecimento do nexo acidentário.

Quem tem direito ao auxílio-acidente de trabalho

Segundo o INSS, têm direito ao auxílio-acidente o segurado empregado, o empregado doméstico, o trabalhador avulso e o segurado especial, desde que tenham qualidade de segurado na data do acidente e comprovem a sequela permanente com redução da capacidade laboral. 

O INSS também informa que não há carência para esse benefício.

Por outro lado, contribuinte individual e segurado facultativo não têm direito ao auxílio-acidente por falta de previsão legal.

Quais são os requisitos para receber o auxílio-acidente de trabalho

Na prática, o trabalhador precisa demonstrar quatro pontos:

  1. Primeiro, que houve acidente do trabalho, ou doença ocupacional equiparada.
  2. Segundo, que a lesão se consolidou. 
  3. Terceiro, que ficou uma sequela permanente. 
  4. Quarto, que essa sequela reduziu a capacidade para o trabalho habitual. 

O INSS descreve o benefício justamente para quem sofreu acidente e ficou com sequelas definitivas que diminuem a capacidade para o trabalho, com avaliação pela perícia médica do INSS.

Esse detalhe da redução da capacidade é fundamental

O benefício não exige invalidez total. Inclusive, a TNU aprovou recentemente entendimento de que a existência de limitação, ainda que leve, para o desempenho da atividade habitual, pode ensejar a concessão do auxílio-acidente, em linha com o Tema 416 do STJ.

Quem recebe B94 pode continuar trabalhando?

Sim. Esse é um dos pontos mais importantes do tema. 

O INSS afirma expressamente que o auxílio-acidente é um benefício de natureza indenizatória e que não impede o segurado de continuar trabalhando. 

Portanto, quem recebe B94 pode voltar ao emprego, seguir com carteira assinada e, em muitos casos, até exercer outra atividade compatível com sua limitação.

Isso acontece porque o B94 não substitui a renda integral do trabalhador. 

Ele existe para compensar a perda funcional causada pela sequela. 

Por isso, é muito diferente do benefício por incapacidade temporária. 

Enquanto o B91 pressupõe incapacidade temporária para o trabalho, o B94 pressupõe retorno possível ao trabalho, mas com limitação definitiva.

Qual é o valor do auxílio-acidente de trabalho

O valor do auxílio-acidente de trabalho corresponde a 50% do salário de benefício.

Essa é a regra do art. 86 da Lei 8.213/91, e o próprio INSS repete esse critério ao explicar que o benefício é uma indenização mensal calculada sobre o salário de benefício do segurado.

Na prática, isso significa que o INSS primeiro identifica o salário de benefício, que é a base de cálculo previdenciária, e depois aplica 50% sobre esse valor para chegar à renda mensal do auxílio-acidente. 

O INSS mostra exatamente essa lógica em sua página de cálculo de benefícios por incapacidade.

Para ficar mais fácil, veja algumas simulações simples:

  • Exemplo 1: se o salário de benefício for R$ 2.000,00, o auxílio-acidente será de R$ 1.000,00 por mês. Esse é, inclusive, um dos exemplos oficiais usados pelo próprio INSS.
  • Exemplo 2: se o salário de benefício for R$ 3.200,00, o auxílio-acidente será de R$ 1.600,00 por mês. Aqui, a conta é direta: 50% de R$ 3.200,00.
  • Exemplo 3: se o salário de benefício for R$ 1.500,00, o auxílio-acidente será de R$ 750,00 por mês.

Portanto, o ponto mais importante é este: o auxílio-acidente não é calculado sobre o salário atual da carteira, mas sobre o salário de benefício apurado pelo INSS. 

Por isso, duas pessoas com salários parecidos hoje podem receber valores diferentes, dependendo do histórico de contribuições que formou essa base de cálculo.

Conclusão

Em resumo, o auxílio-acidente de trabalho é a indenização paga pelo INSS ao segurado que sofreu acidente do trabalho, ou doença ocupacional equiparada, e ficou com sequela permanente que reduziu sua capacidade para a atividade habitual. 

No uso prático da Previdência, esse benefício é identificado como B94, ou espécie 94. Ele não exige incapacidade total, não impede o retorno ao trabalho e não se confunde com o B91, que é benefício por incapacidade temporária acidentária.

Além disso, acertar o código do benefício faz diferença real. Confundir B94 com outro código pode levar a erro no pedido, no recurso e até na estratégia judicial. 

Por isso, quando há acidente de trabalho, doença ocupacional ou dúvida sobre a espécie correta do benefício, a análise técnica do caso é essencial.

O Robson Gonçalves Advogados atua na análise de acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, pedidos de auxílio-acidente, recursos no INSS e ações judiciais, quando necessário.

Se você quer saber se sua sequela dá direito ao B94, entre em contato com o Robson Gonçalves Advogados para uma análise do seu caso.

Robson Gonçalves

Robson Gonçalves é sócio fundador do escritório Robson Advogados. Atua desde 2019 e dedica a sua advocacia no Direito Previdenciário em processos contra o INSS. OAB/MG 191.612

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